Luciano Maia tem 20 anos de trajetória como músico e produtor, colocando a música regional gaúcha em diálogo com outros ritmos brasileiros e universais. Atualmente lidera o Baile do Maia, mantém o duo Balaio de Sons, com o violonista Gabriel Selvage, e ministra workshops sobre acordeom. 

Natural de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, Maia nasceu em 7 de novembro de 1980. Ao lado do pai, músico amador, frequentou as primeiras aulas de gaita com sete anos de idade, mas logo se tornou um aplicado autodidata. Aos nove, passou a tocar em invernadas artísticas, encontros de danças dos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs). 

Na adolescência, participou da então incipiente cena nativista de Pelotas, subindo ao palco com artistas hoje consagrados, como Luiz Marenco, Joca Martins e Cristiano Quevedo. Ao mesmo tempo, recebia premiações em disputados festivais regionais, como o Fegart, em Farroupilha, e o Rodeio da Vacaria. A partir do reconhecimento, foi convidado a participar do grupo Quero-Quero, com longa trajetória na animação de bailes. Com 15 anos, deixou a casa paterna para viver em Porto Alegre e viajar todos os finais de semana como músico profissional pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. 

Além de experiência de palco, a trajetória com o Quero-Quero deu a Maia a oportunidade de entrar em um estúdio de gravadora pela primeira vez. Eram meados dos anos 1990, época em que a Acit se consolidava como um polo da música regional no Sul, lançando álbuns de nomes populares como Os Serranos, Tchê Barbaridade e Musical JM, com tiragens que ultrapassavam as 100 mil cópias. 

Em 1997, depois de participar com o Quero-Quero da gravação de “Todo Homem do Pampa”, decidiu abandonar o conjunto para colocar em prática o que aprendeu na Capital na cena nativista de sua cidade. De volta a Pelotas, passou a produzir artistas locais e logo reuniu composições próprias e de outros artistas para a gravação do CD solo, “Sonho Novo” (1998).  

O disco instrumental chamou atenção de músicos e críticos. Com a repercussão, o autor foi selecionado para o projeto “Cartografia Musical Brasileira”, do Rumos Itaú Cultural, que tinha como objetivo mapear a produção de país. Os convites para tocar no centro do Brasil se multiplicaram, motivando Maia a morar por algum tempo em São Paulo. Em seguida, foi convidado a integrar também a série de espetáculos “O Brasil da Sanfona”, dividindo palco com artistas como Sivuca, Renato Borghetti, Oswaldinho do Acordeon, Caçulinha e Mario Zan.  

A partir do reconhecimento nacional como instrumentista, os pedidos para participações em álbuns de artistas regionais e urbanos cresceram, colocando a nome do acordeonista em mais de cem CDs. Participou também de espetáculos ao lado de Sérgio Reis, Hermeto Pascoal, Arismar do Espírito Santo, Toninho Ferragutti e Luiz Carlos Borges, entre outros. Em 2008, teve seu perfil retratado no documentário “O Milagre de Santa Luzia”, uma jornada musical pelo Brasil conduzida pelo sanfoneiro Dominguinhos. Também já representou o país em festivais e outros eventos no Reino Unido, Alemanha, França e Suíça. 

– Fiquei impressionado quando fui a um show com Oswaldinho e Arismar do Espírito Santo, e o Luciano Maia estava lá. Tem uma mão muito boa e está tocando cada vez melhor. Fiquei muito feliz ao ver mais jovem valor do acordeom desse país tocando – avaliou Dominguinhos, no documentário. 

O sucesso como produtor também não tardou. Em 2002, assinou a produção do primeiro disco de César Oliveira & Rogério Melo, “Das Coisas Simples da Gente”, e assumiu a direção musical da dupla. O êxito foi instantâneo, com mais de 20 shows por mês e convites para Maia assumir as gravações de outros importantes artistas gaúchos, como Joca Martins e Berenice Azambuja. Com a agitação, voltou a viver em Porto Alegre, onde permanece até hoje. 

Também no início dos anos 2000, o músico passou a integrar o Quartchêto, grupo que também conta com Julio Rizzo (trombone), Hilton Vaccari (violão) e Ricardo Arenhaldt (percussão). A formação inusitada, combinando jazz, erudito e regional, recebeu boa acolhida da crítica e segue em atividade atualmente, com dois CDs lançados, “Quartchêto” (2005) e “Bah” (2009). 

Em carreira solo, além do álbum de estreia, lançou os instrumentais “Minha Querência” (2002), “Cruzando a Pampa” (2007), “A Gaita do Rio Grande” (2014) e “Janelas ao Sul” (2014). A partir do disco “Encomenda” (2009), começou a expor também sua faceta de cantor, seguida em “Talareando” (2011) e “Cordeona-me” (2012), este reunindo parcerias com o poeta Gujo Teixeira. 

Atualmente, além de realizar shows solo e com o Quartchêto, Luciano Maia tem excursionado com dois projetos que colocam a música regional em diálogo com o universal. Em dupla com Gabriel Selvage, gravou o álbum instrumental “Balaio de Sons” (2017). O projeto reúne o acordeom de Maia com o violão de sete cordas de Selvage, partindo dos ritmos do Sul para sessões de virtuosismo e improviso característicos do choro e do jazz. 

O Baile do Maia é seu mais novo show, criado a partir de uma pesquisa que recupera os elementos dançantes da música gaúcha do passado. Com acordeom, violão, cavaquinho, baixo, percussão e bateria, o time liderado por Maia coloca o público para bailar tocando canções clássicas e temas instrumentais com novos arranjos.  

Para o público especializado, o instrumentista tem promovido workshops em grandes eventos dedicados ao aprimoramento de músicos, como a Oficina de Música de Curitiba. Tendo experiência como acordeonista, compositor, arranjador e produtor, demonstra as características de seu instrumento desde a montagem das peças até a captação e edição em estúdio, passando pela história da gaita no Brasil, peculiaridades assimiladas em cada região e cuidados cotidianos. 

Pela internet, também tem gerado conhecimento e levantado debate a respeito do acordeom em duas séries de vídeos, postadas em seu canal no YouTube. A primeira é “Janelas ao Sul”, em que toca e canta; e a segunda consiste nas entrevistas “Falando em Gaita”, que reúne convidados como Albino Manique, Edson Dutra, Luiz Carlos Borges e Renato Borghetti.  

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