Baile do Maia leva o ritmo da música gaúcha para novos espaços

Projeto do acordeonista faz público dançar com clássicos do Sul

 

Os ventos do sul não trazem apenas frio. Ao contrário, o mais novo projeto a esquentar as noites de festa, colocando todo mundo para dançar, foi formado em Porto Alegre (RS). O Baile do Maia resgata os elementos dançantes da música gaúcha do passado para compor uma sonoridade própria, tocando temas conhecidos do Sul com uma roupagem original. É uma folia com sotaque próprio, mas capaz de circular além das fronteiras de galpões e centros tradicionalistas.

O projeto é liderado por Luciano Maia, compositor, acordeonista e cantor com mais de 20 anos de carreira. Além de ter sete CDs solo lançados, já participou como produtor e instrumentista em mais de cem álbuns e dividiu o palco com artistas como Hermeto Pascoal, Dominguinhos, Yamandu Costa, Renato Borghetti, Arismar do Espírito Santo e Toninho Ferragutti.

O acordeom de Maia é acompanhado por um grupo com cavaquinho, violão, baixo, percussão e bateria. No palco e fora dele não há protocolos: não precisa de bota, bombacha ou lenço para entrar na dança. Inspirado em projetos que exploram o ritmo forte de outras tradições regionais, como o Baile do Almeidinha e o Forró do Mestrinho, Luciano Maia comanda o espetáculo com um repertório calcado na música típica de seu Estado – o músico é natural de Pelotas (RS).

Entram na lista “Escadaria” e “Adeus, Mariana”, de Pedro Raymundo; “Às de Copas”, d’Os Bertussi; “Mané Romão”, recolhido do folclore por Honeyde Bertussi; “Missioneiro”, de Tio Bilia; “Paixão Ingrata” de Vaine Darde e Gaúcho da Fronteira; “Panela Velha”, de Moraezinho; e composições autorais. São mais de 20 faixas encaixadas sem intervalo, para o ritmo do baile sempre se manter em alta.

O suingue nas levadas de chamamés e vaneirões pode causar estranhamento a um ouvinte menos preparado, mas é resultado de uma profunda pesquisa de Maia em gravações de artistas gaúchos dos anos 1940 a 1970, como Pedro Raymundo, Os Bertussi, Conjunto Farroupilha e Os Serranos.

– Naquela época, os músicos gaúchos gravavam em São Paulo ou no Rio, acompanhados de regionais de música caipira ou de choro. O cavaquinho estava sempre presente, e teve até disco que precisou voltar para a mixagem pela falta do instrumento. Mais tarde, a música gaúcha foi se formatando de outro modo, priorizando outras características, mas esse balanço está na sua origem – conta Maia.

Para alcançar a sonoridade desejada, o acordeonista realizou temporadas de ensaios com instrumentistas que transitam por diferentes gêneros. A formação do Baile ficou completa com Matheus Alves (violão), Luis Arnaldo (cavaco), Miguel Tejera (baixo acústico), Giovani Berti (percussão) e Sandro Bonato (bateria).

– Tivemos que pesquisar e testar muito para alcançarmos nossa sonoridade. Quero que o público de diferentes partes do país dance e se divirta com a música que vem do Sul, não pelo seu exotismo, mas por seu ritmo e qualidade – diz Maia

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